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O Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Sul (CRO/RS) manifesta sua profunda indignação com a proposta apresentada pelo Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG), organização que assumirá a gestão de 67 unidades de saúde e uma farmácia distrital em Porto Alegre, prevendo reduções salariais que variam entre 30% e 60% para profissionais da saúde que atualmente atuam nos serviços geridos pela Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e pela Associação Hospitalar Vila Nova.
A medida impacta diretamente cirurgiões-dentistas, técnicos e auxiliares em saúde bucal, além de profissionais da prótese dentária, comprometendo a valorização das equipes responsáveis pela assistência odontológica prestada à população. O CRO/RS também registra preocupação pelo fato de os profissionais da Odontologia não terem sido contemplados com gratificações relacionadas à residência e à pós-graduação em Saúde da Família e Saúde Coletiva, diferentemente do que foi previsto para outras categorias profissionais.
A proposta representa um risco concreto para a manutenção das equipes odontológicas nas unidades de saúde e para a continuidade da assistência prestada à população. A redução dos vencimentos pode inviabilizar a permanência de profissionais qualificados nos serviços, provocando desmobilização das equipes, aumento da rotatividade e prejuízos à qualidade, à resolutividade e ao acesso aos atendimentos odontológicos na rede pública municipal.
O Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Sul entende que a valorização dos profissionais da saúde é um requisito fundamental para a garantia de um atendimento digno, eficiente e humanizado. Medidas que promovam a precarização das relações de trabalho inevitavelmente refletem na qualidade dos serviços oferecidos à sociedade.
Para a presidente do CRO/RS, Janaína Gomes, o cenário atual também remete a problemas estruturais que ainda não foram superados na Atenção Primária à Saúde de Porto Alegre.
“É importante lembrar que esta situação enfrentada hoje pela Atenção Primária à Saúde em Porto Alegre sequer deveria estar ocorrendo. O Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (IMESF) era composto por profissionais concursados que atuavam diretamente na assistência à população. Houve uma demissão em massa de mais de 1.800 trabalhadores da saúde em plena pandemia e, passados anos, muitos desses profissionais ainda aguardam o pagamento de verbas rescisórias devidas desde 2020. Trata-se de uma realidade preocupante, que evidencia a necessidade de garantir estabilidade, valorização profissional e respeito aos trabalhadores da saúde. Nesse contexto, propostas que reduzem significativamente a remuneração das equipes representam mais um fator de fragilização da rede pública e podem trazer consequências diretas para a continuidade e a qualidade dos serviços prestados à população.”
Diante deste cenário, o CRO/RS reafirma seu compromisso com a defesa da Odontologia, da valorização profissional e da saúde pública de qualidade, acompanhando atentamente os desdobramentos da situação e atuando em defesa dos profissionais e da sociedade gaúcha.
Porto Alegre, 19 de junho de 2026
Janaína Cortes Gomes
Presidente do Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Sul
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